Nota de Esclarecimento

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No sábado passado (16), o Sr. Henrique Ferreira, usou as redes sociais para nos informar e solicitar esclarecimentos sobre as queixas apresentadas pelo Sr. Osvaldo Lobo, viúvo da Sra. Eliana Azevedo, em um vídeo compartilhado publicamente.

Prontamente estabelecemos o compromisso de apuração dos fatos e de prestar os devidos esclarecimentos, assim como tomar providências sobre qualquer erro que, porventura, tenha sido de fato cometido.

Assistindo ao referido vídeo do Sr. Osvaldo verificamos que ele estava em estado de sofrimento pelo luto de sua esposa e, também, indignado pela forma como ela foi enterrada.

De acordo com o protocolo para caso de óbito relacionado à Covid-19, estabelecido pelo

Ministério da Saúde fica determinado que, o hospital acione a funerária que por sua vez avise a família, que não poderá fazer o velório por medidas de segurança, fazendo sepultamento de imediato, onde no máximo duas pessoas da família poderão presenciar. Tudo isso para evitar contagio por gazes que o corpo pode emitir, disseminando o vírus.

A morte em qualquer cenário causa sofrimento às pessoas, principalmente a um ente querido. E velório sem dúvida é uma última despedida, onde todos tentam fazer com o máximo de dignidade e dentro de suas particularidades, tentando também amenizar a dor e buscar conforta nesse momento tão difícil. Por isso o sofrimento das famílias acaba sendo agravado pela ausência desse ritual de sepultamento, sem seu último adeus.

Conhecemos pouco sobre o vírus, mas o perigo que ele representa para todos sabemos muito bem, a luta contra ele impõe sacrifícios, aos quais estamos tentando nos adaptar.

Lamentamos muito a perda do Sr. Osvaldo, respeitamos a sua dor e nos compadecemos.

Em continuidade a análise sobre vídeo publicado pelo Sr. Osvaldo, observamos o grau de sua revolta, fazendo vários questionamentos sobre a forma como a sua esposa foi tratada no nosso hospital. Dessa forma nós trazendo para esclarecer seus questionamentos.

Ele descreveu que a dona Eliana Azevedo foi ao hospital várias vezes antes de falecer. Ele diz que “a esposa foi no sábado com uma ânsia no estômago e que foi feito o teste da Covid-19 nesse dia e que o resultado mostrou que ela não tinha o coronavírus”. Ele relata ainda que, “na segunda-feira seguinte, fizeram o teste da Covid-19 novamente e deixaram-na sozinha. Davam remédio pra ela, ela vinha pra casa como pressão alta”. E conclui que o teste tinha dado que ela não estava com o coronavírus.

Depois dos relatos de dias antecedentes ao óbito da esposa, ele faz algumas afirmações e questionamentos:

1- “não me apresentaram exame deste corona, me apresentaram só o atestado de óbito como corona”;

2- “o médico que internou ela com outros pacientes e ela tinha corona, como é que o médico pode internar ela no meio de outros pacientes?”

Em seguida o Sr. Osvaldo passa a relatar as ocorrências do dia em que aconteceu a fatalidade:

Quando eu cheguei ao meio dia, meia hora, eu cheguei no hospital e o médico me disse que ela tava com problema muito sério no coração e que ela poderia ter uma parada cardíaca. Então que eu ficasse com ela, acompanhasse ela, porque ela tava com esse problema no coração já quase parando. E por isso, meu povo, quando foi 3 horas da tarde, eu acompanhando ela, ela me pediu um mingau pra eu fazer na minha casa pra ela. Eu saí do hospital, fui fazer este mingau e saí, fui fazer este mingau pra ela. Quando eu chego (em casa) com 10 minutos, me ligam dizendo que ela tinha ido a óbito”.

Continuando, ele reclama descrente das informações que recebera:

Quando chega lá no hospital que eu quis entrar, não me deixaram entrar porque ela tinha morrido de corona, porque tinham feito um teste na hora do óbito, ela entrando em óbito. Como é que pode ela entrando em óbito e fazer um teste de coronavírus e dá este corona?”

E aí, declara sua indignação:

Enterram ela feito um bicho, jogado às 9h da noite, ela merecia um enterro digno, é isso que estou reclamando, revoltado por causa disso”.

Por que no sábado que eu fui, ela já estava suspeita, não internaram logo ela? Por que que na segunda-feira não internaram logo ela? O médico não foi nem vê ela, nem sábado, nem segunda, só foi na quarta-feira porque não conseguiram pegar a veia dela. Aí tiveram que levar ela lá pra dentro, isso não é uma injustiça que tão fazendo com nós?”

Em seguida, o senhor Osvaldo acrescenta que, após o sepultamento:

Eles disseram que iam me monitorar, não vieram”.

 “Não me deram exame nenhum dela, nenhum exame de como ela morreu de Corona”.

Diante das questões relatadas pelo Sr. Osvaldo, fomos imediatamente apurar os fatos para esclarecer e tomar providências. Buscamos verificar uma a uma, as informações sobre os procedimentos da equipe do Hospital Menino Deus. O relatório da equipe de enfermagem, do hospital, informou:

“No dia 9 de maio, às 9:20h a paciente Eliana Azevedo deu entrada na emergência do nosso Hospital. Apresentava dor epigástrica, náusea, crise hipertensiva, frequência de 108 batimentos cardíacos, saturação de oxigênio de 99%, pressão arterial 18 x 11, temperatura 36C. Nessa ocasião já às 9:40h, sob orientação do médico plantonista, foram ministradas duas ampolas de furosemida, dipirona endovenosa, buscopan composto endovenoso e cimetidina endovenosa. E às 11:45h foi administrado um comprimido de nifedipino comprimido via oral. Como ela melhorou, recebeu a orientação para continuar com a medicação então receitada em sua casa. No último dia 13 de maio, depois de quatro dias, ela voltou a dar entrada na urgência às 9:40h. Estava consciente, apresentando precordial, mal estar, pele fria, sudorese, cianose nas extremidades. Foi avaliada pelo médico plantonista, que orientou a sua internação para receber cuidados médicos e de enfermagem. Foi medicada na sala de urgência e emergência, quando recebeu soroterapia com soro ringer, hidrocortisona duas ampolas de 100 ml intravenoso, cetoprofeno uma ampola intramuscular e cimetidina uma ampola endovenosa. Contudo, não houve a melhora esperada com a terapia aplicada. O nível de saturação do oxigênio no sangue havia diminuído a 60% e, em função disso, ela foi internada na enfermaria, a qual foi esvaziada para que ela ficasse em isolamento. Foi solicitada uma bateria de exames laboratoriais (hemograma completo, glicemia, colesterol, ureia, creatinina) e também, um raio-X de tórax e o eletrocardiograma. Por volta de meio dia, seu marido foi avisado da gravidade do quadro que poderia levar a uma parada cardiorrespiratória. Em seguida a paciente apresentou uma diminuição acentuada do nível de consciência. Às 14:30h, a paciente apresentou um quadro de agitação, dispneia, cianose nas extremidades, pele fria, mal estar geral, dor epigástrica e precordial e havia diurese presente. Com isso ela permaneceu em soroterapia e foi administrado oxigenioterapia. Às 15:15h, a paciente que estava sob regime de dieta zero, encontrava-se desacompanhada. Às 15:20h, ela apresentando sinais de infarto, foi submedida a um eletrocardiograma e passado sonda de foley, e também foi feito o teste rápido para Covid-19. No entanto, infelizmente, às 16:30, a paciente veio a óbito com parada respiratória e infarto agudo do miocárdio. Em seguida foi realizada mais uma coleta para realização de um exame de contraprova para existência do Covid-19. Como consequência o seu atestado de óbito apresenta como causas da morte o infarto agudo do miocárdio, parada cardiorrespiratória e o covid-19.

Concluímos então, que o Sr. Osvaldo acreditava que haviam sido realizados testes de Covid-19 em sua esposa nos dias que antecederam ao óbito, que, portanto, o hospital já tinha ciência que ela estava com a Covid-19, mesmo assim não fizeram os procedimentos adequados para salvá-la.

No entanto, nos dias que antecederam ao óbito, não foram aplicados testes de Covid-19 na esposa dele como ele pensava.

No entanto, nos dias que antecederam ao óbito, não foram aplicados testes de Covid-19 na esposa do senhor Osvaldo, como ele pensava. Pois, até então, a paciente não apresentava os sintomas mais conhecidos da  Covid-19 e, pela escassez de exames no Brasil inteiro, os testes estão sendo restritos à apresentação de quadro sintomático suspeito, como foi o da esposa dele no dia do óbito, a qual apresentou uma saturação mais baixa de oxigênio no sangue que é o sintoma mais importante naquele momento.

Entendemos que o quadro clínico Dona Eliana foi agravado pela ação do coronavírus e, assim, impedido o sucesso nas terapias aplicadas no último dia.

Não se conhece muito ainda a forma de ação desse vírus, o mundo todo está buscando respostas e os nossos profissionais do Hospital Menino Deus, também.

Lamentamos muito.

A equipe do hospital relata, ainda, que dia 13 de maio, após o sepultamento, esteve na residência do Sr. Osvaldo para realização de teste para Covid-19, no entanto a residência estava fechada, ninguém atendeu.

No dia seguinte, 14 de maio pela manhã, os profissionais da saúde voltaram à residência do senhor Osvaldo e novamente ninguém atendeu. Retornaram pela parte da tarde e o Sr. Osvaldo atendeu, no entanto, se recusou a assinar o termo de responsabilidade para se manter em isolamento social, que é o protocolo que se aplica em pacientes que estiveram em contato com pessoas que atestaram positivo para a Covid-19. Por esse motivo, também, na ocasião, ele não recebeu a notificação com o laudo atestando a Covid-19.

Em seguida a Vigilância Sanitária Municipal acionou a segurança pública informando da necessidade do cumprimento da quarentena por parte do Sr. Osvaldo. Depois recebeu a informação de que ele estava cumprindo com a quarentena.

Pelo o que foi apurado, até o momento, não houve erro no procedimento da nossa equipe de saúde. Acreditamos que houve falha na comunicação entre a equipe de saúde e o familiar. A rotina no hospital tem sido difícil e provavelmente a sobrecarga de trabalho dos profissionais de saúde tenha sido um fator causador dessa dificuldade de comunicação. Estamos melhorando nisso. Precisamos todos ser mais compreensivos e ter mais fé em nossos irmãos que estão nessa rotina difícil e cheia de desafios.

A Prefeitura de Soure não está medindo esforços no combate ao COVID-19, tendo como uma das suas principais armas a transparência, dessa forma continuará agindo.

Prefeitura Municipal de Soure

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